sábado, 10 de julho de 2010

Samurais que não são samurais, parte I

Este é o primeiro post da série "Samurais que não são samurais", que deve ter três ou quatro partes. Nesse primeiro post vamos explorar um pouco do conceito do samurai, e como ele é mais universal do que costumamos pensar...

Samurais, muito mais do que japoneses com katanas...

No Tormenta RPG (TRPG), no Aventuras Orientais e provavelmente em mil outros livros, temos classes básicas Samurai. Em teoria, essas classes existem porque a classe básica guerreiro não incorporaria tudo o que o samurai representa. Mas o que é que ele representa afinal?

Se olharmos a descrição de qualquer uma destas classes teremos o seguinte: que samurais são guerreiros disciplinados, cultos, leais a um senhor e vindos de uma classe aristocrática. Geralmente, as classes samurai recebem armas de qualidade superior no primeiro nível sem precisar pagar por elas, são armas de família, que o personagem recebe como herança.

Conforme o personagem avança de nível, também o fazem suas armas, demonstrando cada vez habilidades mágicas mais poderosas. A explicação aqui vai do gosto do mestre, pode ser apenas que, com o passar do tempo, o samurai aprenda a utilizar as verdadeiras habilidades da arma de seus antepassados. Ou pode ser o espírito de seus familiares se manifestando na arma. O efeito é o mesmo, um personagem que valoriza suas armas e um conjunto de armas que só é realmente poderosa para seu dono. Seu legítimo herdeiro.

As demais habilidades das classes samurai têm a ver com o estilo de luta e técnicas de intimidação. No TRPG temos duas alternativas, o iaijutsu, técnicas para sacar e golpear rápido e o niten (embora não receba esse nome), a técnica de luta com duas armas. Tudo muito samurai, tudo muito japonês. Certo?

Não necessariamente.

Pense novamente nas características do samurai. Honra, disciplina, lealdade... Alguma dessas coisas é exclusiva do japão? Em um mundo de fantasia, alguma dessas características é exclusividade humana? Em Arton, apenas Tamu-Ra conhece lealdade e honra?

Claro que não.

Certa vez eu fiz um NPC de Tormenta que era uma espécie de anão samurai. Ele era de Doherimm, o reinos dos Anões, mas havia vivido décadas entre os tamuranianos (japoneses de Arton) e aprendido a usar e forjar katanas. Quando pensamos num samurai elfo ou minotauro pensamos em histórias assim, seres de outras raças influenciados por uma cultura japonesa-dos-caras. Como o Nathan Algreen de "O Último Samurai".

Mas você já pensou que poderiam existir elfos, anões, halflings, minotauros ou mesmo humanos de outras culturas carregando os mesmos ideais de honra, lealdade e ferocidade marcial do samurai? E tudo isso sem a influência de uma cultura japoniforme? E já pensou que estes personagens poderiam ser criados usando a classe samurai?

Esta é a idéia central aqui. A classe samurai, com apresentada no TRPG ou no Aventuras Orientais (eu não gosto daquela do Complete Warrior) traz em si um conceito muito maior do que um japa com uma espada. E esse conceito se aplica a outras raças, a outros contextos, a outras culturas. É claro que, no Japão, ou em Tamu-Ra, o samurai é parte fundamental da sociedade, mas em outros contextos, guerreiros com características samurais podem ser personagens interessantes.

Neste sentido as raças mais propensas a terem seus próprios samurais, em Arton, são minotauros e anões, devido a suas culturas disciplinadas e seu sentimento de lealdade para com seus reinos. Um guarda imperial minotauro, ou um guerreiro da nobreza anã poderiam ser criados facilmente usando a classe samurai, apenas escolhendo uma arma ancestral diferente da katana. Ou não, espadas bastardas ainda são conhecidas entre minotauros e anões...

É seguindo esta linha de raciocínio que nos próximos posts eu apresentarei dois NPCs criados com a classe Samurai do TRPG: Theodozius, executor imperial de Tapista e Dhobzarimm, guarda do templo de Khalmyr.

Um comentário:

  1. Ótimo artigo, Gruingas! Me inspirou a trabalhar no samurai, dar uma forma variante a ele, com estilos de combate condizentes com algumas das armas alternativas, ou um que tenha menos poder mágico na arma, mas recebe técnicas de combate exclusivas e que sejam genéricas para qualquer arma ancestral escolhida...

    Bem, de todo jeito, o blog vai bem, tô gostando do que vejo, e me avise se eu puder contribuir a esse artigo do samurai com a variante que falei.

    Abraço

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